A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo - Filipenses 3:20
É notório que as epístolas do Novo Testamento são registros do ensinamento apostólico na igreja primitiva, com fundamento, principalmente no Evangelho de Jesus Cristo, ensinos estes que segundo o relato de Lucas, ficaram notadamente conhecidos como a ”doutrina dos apóstolos” (At 2:42 - ARC). Os escritos são de Paulo, Pedro, João, Tiago, Judas e um anônimo.
Quando sistematizado o pensamento apostólico sobre a volta de Jesus Cristo e os acontecimentos relacionados a sua segunda vinda, temos então um conjunto de doutrinas que entre si relacionam dentro do eterno propósito de Deus, abrangendo terra e céus, que dentro das Doutrinas Sistemáticas é chamada de Escatologia Bíblica.
Tanto o salvo quanto o perdido, dentro da visão bíblica, aguardam o de estado de vida interminável, com apenas dois destinos finais. Para tanto, é imperioso o conhecimento de uma gama de assuntos tratados nas epístolas, como a segunda vinda de Jesus Cristo (arrebatamento e manifestação), a morte física, a imortalidade humana, o estado intermediário, a ressurreição dos salvos e dos perdidos, o novo corpo dos salvos, o tribunal de Cristo, as bodas do Cordeiro, a futura intervenção do Diabo na terra, do futuro reino de Cristo sobre a terra, o juízo do grande trono branco, o estado eterno e a da redenção da terra e céu.
Tomando como exemplo os escritos do apóstolo Paulo, vemos que ele aborda uma série de assuntos escatológicos, a vida do apostolo Paulo foi marcada pelo dramático encontro com Jesus Cristo a caminho de Damasco. Encontro que colocou por terra todas as suas pretensões contra os nazarenos que ele mesmo tinha como alvo varrê-los do mundo romano. Paulo vê a sua crença, fé e autoridade cair por terra diante da declaração “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (At 9:5). A partir desse encontro ele se rende de maneira incondicional a Jesus Cristo e torna-se um dos mais ardorosos pregadores do Evangelho e apologista da “Verdade”. Razão pela qual Deus o tomou como ferramenta fundamental na formação dos “escritos” que compõem o Novo Testamento. Paulo discorreu sobre todas as doutrinas neotestamentárias contribuindo na formação da igreja no primeiro século.
O legado doutrinário de Paulo encontra-se nas treze cartas que escreveu, de onde se pode extrair o pensamento escatológico e assim pontuar a visão escatológica que Paulo tinha a partir dos ensinos de Jesus Cristo e das revelações que recebeu.
Primeiramente devemos ter em mente que ao escrever sobre o assunto em suas cartas, ele partia das necessidades dos cristãos, e sempre fazia com a intenção de instruir e esclarecer as igrejas. Paulo destaca que o crente individual, bem como a igreja como um todo, não encontrará sua perfeição ou estado completo nesta terra, e nem nesta existência terrena (1ª Co 13.12 e Rm 8.24). Antes de atingirmos o estado completo ou de perfeição, certo é que acontecimentos terão de ocorrer e de conformidade com o plano determinado por Deus antes da formação do mundo. Esses acontecimentos e o nosso estado futuro são abordados ou definidos na Doutrina das Últimas Coisas que abarca um conjunto de doutrinas que discorre sobre o porvir.
A abordagem paulina não segue uma sequência lógica, como já dissemos que o fez diante dos questionamentos, da ignorância e dúvidas dos crentes e da própria ação do Espírito Santo tendo em vista a igreja de todas as épocas.
Pr Sebastião Otávio